Friday, March 19, 2010

22 de Março : Dia Mundial da Água

A situação do abastecimento de água no mundo é preocupante. Mais de um bilhão de pessoas não têm acesso a ela; dois bilhões e 400 milhões não dispõem de saneamento, com projeções alarmantes para 2025 quando bilhões de seres humanos sofrerão sérias conseqüências por sua escassez.

O Brasil, que possui 14 % da água doce existente no mundo, tem muito que fazer para cuidar deste bem valioso e finito, pois cuidar da água significa cuidar da vida do homem na Terra.

Este é um assunto de muita importância e os políticos por ele resvalam, como no caso da educação, talvez por estarem intimamente ligados às liberdades individuais. A água é estratégica, ligada à soberania, à economia e à saúde, embora não dê votos, sendo esquecida pelos políticos.

O cuidado com a água reflete educação e desenvolvimento, coisa também escassa por aqui. Não há consciência sobre a importância do uso racional e a necessidade de proteção dos rios e das águas subterrâneas através do adequado afastamento e tratamento do esgoto doméstico e industrial.

E não são apenas os políticos que só pensam no voto os que fogem do assunto; a imprensa também, e quase toda a população que poderia adotar eficientes medidas em suas residências através do consumo inteligente que economiza e reusa.

Para muitos políticos interessa o voto das massas que se amontoam em assentamentos irregulares - muitas vezes promovidos por eles próprios – onde crianças convivem com água contaminada, adquirindo graves doenças invisíveis que as levarão ao sofrimento e à morte. Mais de três mil crianças morrem diariamente no mundo em decorrência de doenças que provêm da água contaminada. No Brasil, 80% dos esgotos não são tratados sendo jogados “in natura” nos corpos de água contaminando o que será consumido por pessoas que adoecerão agravando o enorme passivo previdenciário. E o investimento dos governos é pífio. O País não tem os recursos necessários para enfrentar o passivo em saneamento, e há políticos contrários aos investimentos da iniciativa privada nessa área. Segundo a Organização Mundial de Saúde, cada dólar investido em saneamento básico significa uma redução de quatro a cinco dólares nas despesas hospitalares.

Sessenta por cento do consumo destinam-se à irrigação na agricultura que aqui é feita precariamente, com uma tecnologia medieval de inundação por falta de informação e financiamento. Boas técnicas e bons projetos poderiam reduzir este consumo pela metade, liberando grande quantidade para o humano nas cidades onde vivem oitenta por cento da população.

É necessária uma profunda mudança no entendimento e nas iniciativas da sociedade para encarar o sério problema da água que já estamos enfrentando e poderá se agravar muito, mesmo em nosso País, tão bem servido por este bem impagável, mas onde ainda persiste a falsa cultura da abundância e do desperdício. No Brasil, as perdas de água tratada nas tubulações variam de 40% a 60%, quando deveriam variar de 5% a15%, como nos países desenvolvidos, por falta de investimento do poder público que tem orçamento restrito.

Cuidar da água é cuidar da Natureza, da vida na Terra e do ser humano.

Como muito bem escreveu Guimarães Rosa, “a água de boa qualidade é como a saúde ou a liberdade: só tem valor quando acaba”.


Nagib Anderáos Neto
www.nagibanderaos.com.br

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Friday, March 05, 2010

Eleições e Palanque

O estímulo à iniciativa privada deveria ser base de toda política desenvolvimentista. O homem de iniciativa cria trabalho para si e outras pessoas. Às classes trabalhadoras se deve dar oportunidade de trabalho e iniciativa. Todo assistencialismo é pernicioso por acomodar o assistido, como a esmola que vicia, paralisa, entorpece.
Uma política econômica inteligente deveria estimular a iniciativa privada. Juros e impostos em ascensão desestimulam a produção gerando desemprego, estagnação e inflação.
Um governo mal gerido e endividado toma dinheiro no mercado para pagar sua ineficiência gerando inflação. Ao invés de estimular a educação e a iniciativa, promove o assistencialismo, aumenta sua dívida e encobre seus rombos através da desinformação e da tergiversação.
Para manter-se como governo indefinidamente, os partidos no poder negociam alianças que garantem votos através de gastos públicos indevidos, utilizando o dinheiro que lhes chega através de impostos crescentes e juros exorbitantes. Em outras palavras: o bolso do povo é subtraído legalmente através de conluios que aqueles partidos arquitetam.
Mas se é o próprio povo quem elege os governantes, onde está o problema?
Não podemos nos conformar com a crença retrógrada de que o voto implique democracia. O governo do povo para o povo deveria representá-lo, cumprindo seus anseios e a Lei Maior que não pode ser letra morta. Educação, saúde, trabalho, segurança e proteção ao meio ambiente deveriam ser os temas que ocupassem as mentes do homem público, e não a forma de se chegar ao poder e ficar nele indefinidamente.
O absolutismo partidário impõe os candidatos que lhes são convenientes para que se perpetuem. O eleitor é obrigado a votar, e por imposição. Prova disto é o eterno retorno daquelas figuras histriônicas que estão sempre a se reeleger, não para servir o povo, senão a si próprios. A política, que deveria ser a arte de gerir o bem comum, transformou-se na arte de chegar ao poder e permanecer nele indefinidamente, até que uma força maior leve o político deste mundo para sempre, mas logo sendo substituído por outro igual, como uma praga que nunca se extingue.
O bem estar comum depende do incremento constante à livre iniciativa para o que os governos se tornaram grandes obstáculos. O desestímulo à produção gera inflação, aumento do custo de vida.
Uma fórmula básica de incremento à iniciativa é a educação que amplia a inteligência das pessoas e sua capacidade de produção e boa convivência. Mas os governos são muitos caros e gastam muito para se manter no poder, não lhes sobrando quase nada para a educação.

Muitos políticos parecem atores de telenovela que representam papéis que na vida real jamais poderiam desempenhar. Um ator que nunca cursou uma faculdade desempenha o de um economista, um administrador, um professor, um gestor público. Isto porque a política, que deveria ser a arte de gerir o bem comum, passou a ser a arte de chegar ao poder e permanecer nele, discursar e predicar, candidatar-se e eleger-se vitaliciamente. Ela não é somente exercida nos governos em suas diversas esferas. Os políticos estão por aí, nas empresas, associações, sindicatos, nos conluios e panelinhas, sempre a atender sonhos de poder e projeção. A ambição não olha apenas para a riqueza, olha também para os insanos sonhos de poder. Os políticos são, em geral, personalidades movidas por pensamentos farisaicos, medievais, cruéis. E estes pensamentos devem ser combatidos, pois todos nós temos um pouco destas manchas em nossas mentes que endurecem os corações.
Numa sociedade em que a raiz de todos os problemas reside na ausência de um sistema educacional eficaz, menosprezar a cultura e a educação é a política mais retrógrada pela qual se possa optar.
No mundo dos engenheiros e dos arquitetos é comum ouvir-se dizer que o papel aceita tudo. No triste mundo da política, cunhou-se um jargão piorado: o palanque, as câmeras e os microfones aceitam tudo.
Para que o capital não comande o trabalho, os grandes cresçam e os pequenos desapareçam; para que a burocracia gerencial, sindical e governamental deixe de atravancar o progresso; para que a massa popular deixe de ser rebanho, obedecendo, trabalhando, consumindo e se divertindo apenas, urge uma verdadeira revolução educacional que governo nenhum estaria prestes a realizá-la.
Como bem disse o Marquês de Condorcet, “sob a mais livre das constituições, um povo ignorante será sempre escravo”.

Nagib Anderáos Neto
www.nagibanderaos.com.br
neto.nagib@gmail.com

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Wednesday, March 03, 2010

Menos Impostos e Mais Educação

O estímulo à iniciativa privada é a base de toda política desenvolvimentista. O homem de iniciativa cria trabalho para si e para outras pessoas. Às classes trabalhadoras se deve dar oportunidade de trabalho e iniciativa. Todo assistencialismo é pernicioso por acomodar o assistido, como a esmola que vicia, paralisa, entorpece.
Uma política econômica inteligente deveria estimular a iniciativa privada. Juros e impostos em ascensão desestimulam a produção gerando desemprego, estagnação e inflação.
Um governo mal gerido e endividado toma dinheiro no mercado para pagar sua ineficiência gerando inflação. Ao invés de estimular a educação e a iniciativa, promove o assistencialismo, aumenta sua dívida e encobre seus rombos através da desinformação e da tergiversação.
Para manter-se como governo indefinidamente, os partidos no poder negociam alianças que garantem votos através de gastos públicos indevidos, utilizando o dinheiro que lhes chega através de impostos crescentes e juros exorbitantes. Em outras palavras, o bolso do povo é subtraído legalmente através de conluios que aqueles partidos arquitetam.
Mas se é o próprio povo quem elege os governantes, onde está o problema?
Não podemos nos conformar com a crença retrógrada de que o voto implique democracia. O governo do povo para o povo deveria representá-lo cumprindo seus anseios e a Lei Maior que não pode ser letra morta. Educação, saúde, trabalho, segurança e proteção ao meio ambiente deveriam ser os temas que ocupassem as mentes do homem público e não a forma de se chegar ao poder e ficar nele indefinidamente. Enquanto a política for encarada como a profissão na qual os interesses pessoais estão acima do interesse público, os políticos não merecerão outro conceito que o que têm na atualidade e muito pouco diz em seus favores.
O absolutismo partidário impõe os candidatos que lhes são convenientes para que se perpetuem. O eleitor é obrigado a votar por imposição. Prova disto é o eterno retorno daquelas figuras histriônicas que estão sempre a se reeleger e não para servir o povo, senão a si próprios. A política, que deveria ser a arte de gerir o bem comum, transformou-se na arte de chegar ao poder e permanecer nele indefinidamente, até que uma força maior leve o político deste mundo para sempre, mas logo é substituído por outro igual, como uma praga que nunca se extingue.
O bem estar comum depende do incremento constante à livre iniciativa para o que os governos se tornaram grandes obstáculos. O desestímulo à produção gera inflação, aumento do custo de vida.
Uma fórmula básica de incremento à iniciativa é a educação que amplia a inteligência das pessoas e sua capacidade de produção e boa convivência. Mas os governos são muitos caros e gastam muito para se manter no poder, não lhes sobrando quase nada para a educação.
Menos impostos e mais educação é a ordem do momento.

Nagib Anderáos Neto
neto.nagib@gmail.com
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Monday, March 01, 2010

Educação Sustentável

Preservar o meio ambiente é preparar um mundo melhor para a humanidade do futuro e protegê-la dos equívocos cometidos no passado, colocando o homem como a figura central no teatro da vida; é pensar com inteligência e colaborar com a Natureza para o ser humano realizar o objetivo para o qual foi criado: viver harmonicamente e aprender com seus irmãos no magnífico cenário que lhe foi presenteado.
Diz-se que a empresa do futuro deverá estar apoiada num tripé para desenvolver-se: qualidade do que produz, responsabilidade social e cuidado com o meio ambiente, a saúde e a segurança do trabalhador. Acrescentaríamos um quarto elemento: o desenvolvimento da capacidade de colaboração entre os que estão envolvidos dentro das empresas. Colaborar significa trabalhar em conjunto e harmonicamente para alcançar, além dos objetivos da empresa, a convivência pacífica entre as pessoas e as instituições diversas. Uma razão superior deverá nortear a razão humana.
A empresa de futuro colocará a palavra “serviço” em relevo nas suas atividades. Há uma enorme mudança cultural em andamento na forma de pensar e agir das pessoas. O trabalho voluntário começa a ser valorizado porque proporciona um crescimento pessoal sem precedentes, por fugir à rotina e desmontar o egoísmo atávico que esteve impregnado nas sociedades que nos precederam; ao servir, o maior beneficiado é quem serve com inteligência. Já se compreende que o trabalho voluntário proporciona um crescimento pessoal de inestimável valor. Muitas pessoas direcionam o seu tempo livre para atividades que pouco têm a ver com a rotina do dia-a-dia. Questões ambientais, culturais, filosóficas, educacionais, de segurança têm a preferência das pessoas que através de associações, organizações não governamentais ou Fundações agrupam-se em torno de objetivos claros e planejam tarefas que beneficiarão outras pessoas. Experimentam a realidade da importância da colaboração, ingrediente indispensável para a construção de uma nova sociedade.
Servir com inteligência é muito mais do que dar o peixe ou ensinar a pescar; é ensinar a pensar, a resolver problemas próprios e coletivos, a trabalhar em conjunto, a construir o futuro. Servir ainda é uma coisa rara nesta sociedade em que se busca sempre a vantagem pessoal ou se teatraliza uma generosidade e um desprendimento que não existem. E não há que se criar um dia da semana para assumir o papel de voluntário; deve ser um papel permanente, principal. Será necessário criar o pensamento de servir e querê-lo do fundo do coração, pois servir aos outros é a melhor maneira de servir a si mesmo.
A grandeza de uma cultura pode ser o fundamento de uma nação e amplia-se com o aumento da capacidade de estudo. A instrução continuada deverá ser o pilar principal de qualquer política. Tudo o mais será conseqüência dela, pois a maior vocação do espírito humano é a criação, a realização para o que o estudo contribui diretamente. A Pátria e o espírito da nacionalidade provêm dessa realização. O estudo individual e o coletivo unem os seres humanos numa realização e compreensão sobre as suas altas finalidades .
A educação é uma ferramenta fundamental para o desenvolvimento sustentável. E ela não deve ser restrita aos bancos escolares, senão alcançar o ambiente familiar e o do trabalho. Deve ser muito mais do que informação, senão percepção, entendimento e compreensão da vida em suas relações pessoais e com a Natureza. O contexto social que cada indivíduo compõe deve ser por ele entendido, bem como suas obrigações e responsabilidades.
A empresa socialmente responsável tem o dever de proporcionar o debate e a participação do trabalhador no ambiente de trabalho buscando soluções sustentáveis para o desenvolvimento social, pois as deficiências do sistema educacional do Estado são tão grandes que serão necessárias muitas décadas para que uma revolução educacional possa trazer algum resultado palpável por esta via.


Nagib Anderáos Neto
neto.nagib@gmail.com

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