Monday, June 28, 2010

Conhecimento Versus Agosticismo

Tudo o que sei é que nada sei, teria dito Sócrates, a personagem de Platão. Eu menos, pois nem sei se nada sei, escreveu Fernando Pessoa no poema Agnosticismo Superior.
O agnosticismo só admite conhecimentos adquiridos pela razão e evita qualquer conclusão não demonstrada. Ele trata as questões metafísicas como discussões inúteis, por serem, em sua visão, realidades incognoscíveis.
Quem formulou o tema por primeira vez foi o biólogo inglês Huxley no século XIX. Em sua origem, a palavra significa aquilo que é oposto ao conhecimento. O sentido empregue pelo cientista parece ter sido de que Deus jamais poderia ser conhecido.
Os homens criaram um deus a sua imagem e semelhança, uma personagem na qual se poderia acreditar ou não. Nesse sentido, o agnóstico seria a pessoa que não aceita ou não acredita naquela invenção, pois o deus criado pelos homens expulsou-os do paraíso por terem eles provado o fruto proibido do conhecimento, quando uma inteligência esclarecida haveria de supor que somente através dele, o conhecimento, se poderia aproximar-se Dele.
Paradoxalmente, os agnósticos não acreditam também na não existência de Deus, pois da mesma forma, para eles, que a existência de Deus não pode ser provada pela razão, sua inexistência também não o pode.
São lucubrações realmente confusas. Se Deus se confunde com a própria criação, como um homem se confunde com sua vida, seus filhos, seus amigos, suas obras, Ele pode, sim, ser conhecido.
O conhecimento do Universo físico, tal como a ciência tem empreendido, é uma forma de se chegar a Ele. O conhecimento da figura humana em sua conformação psicológica e espiritual, além da biológica, é também uma complementação daquele. Pensamentos, sentimentos e emoções não são físicos, manifestam-se através do corpo, mas são metafísicos e cognoscíveis. Se atentarmos bem, a realidade do mundo metafísico é tão ou mais eloqüente que a do físico, por ser aquele o mundo das idéias, dos ideais, dos projetos, dos sentimentos, dos pensamentos e sonhos. Ao sonhar, podemos vivenciá-lo como quando experimentamos uma maçã. Todo artista toca neste mundo ao criar a sua obra e experimenta uma sensação sublime e indizível ao fazê-lo. Qualquer ser humano ao sonhar adentra a este mundo ao tornar-se ator e espectador naquela viagem.
Para os evolucionistas, o homem e o macaco teriam uma ascendência comum. Eles descartam a existência de Deus e concebem todo o Universo como obra do acaso. Os criacionistas cristãos acreditam que Deus criou o mundo como ele é; e assim também o homem. Os criacionistas evolucionistas julgam que Deus criou e foi o início de um Universo em permanente movimento, evolução e transformação, e que está presente em sua Obra.
Não podemos deixar de considerar que a biologia evolutiva é uma realidade e que há muito que descobrir e aprender sobre o processo evolutivo. A realidade da evolução é incontestável; e o homem pode experimentá-la dentro de si conscientemente, e não apenas constatá-la materialmente. A evolução não se dá apenas por seleção natural. No homem ela pode ser realizada por seleção mental de pensamentos e idéias que tendam à evolução. Por tal fato, não é uma ilusão ponderarmos que somos súditos privilegiados nesta parte do Universo conhecida por termos mente e sensibilidade; capacidade de criar.
A crise que se vive, mais do que ambiental e cultural é uma crise espiritual que tem afastado o ser humano de seus irmãos pelos fanatismos, pela idolatria e pela ignorância. Tudo evolui. O homem precisa evoluir, mental e espiritualmente falando, para deixar de ser cético e crente no que desconhece. Só o conhecimento libera; e a ele não se chega senão através de processos que tendam à evolução.
Não somos um tipo de macaco que reluta admiti-lo. Somos seres humanos que evoluem biologicamente e que podem chegar a fazê-lo espiritualmente se decidirem tomar as rédeas do próprio destino e transformar-se psicológica e espiritualmente; à matemática biológica se deverá agregar a psicológica e espiritual que permitirão a complementação da evolução material. O Universo e o homem não são relativos.
O ponto de conciliação entre criacionistas e evolucionistas parece ser aquele que aponta o Universo como a face visível de Deus, e suas Leis, a invisível.
O homem nasceu para ser livre. Sua tristeza é ver-se acorrentado à escravidão mental imposta por preconceitos que sobrevivem em sua mente incompreensivelmente. Cada qual pode ser seu próprio Deus experimentando aquela liberdade e a consciência de existir. Os grilhões mentais são mais cruéis que os que sangravam os corpos de nossos antepassados que aqui foram a nossa vergonha e também a de Darwin.

Nagib Anderaos Neto
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Thursday, June 17, 2010

Liberdade e Livre Arbítrio

Todo ser humano nasce com a prerrogativa de pensar com liberdade, sem preconceitos e travas de toda a espécie. No processo da vida, a utilização dessa prerrogativa fará com que realize um de seus principais objetivos: o aperfeiçoamento. Ao fazê-lo, poderá consumar o de ser útil aos semelhantes. Se pensarmos que esses podem ser os dois grandes objetivos da vida, tudo pode mudar na rotina absurda dos dias que se sucedem sem nenhuma variação.

Aperfeiçoamento pessoal implica mudanças, e para mudar é necessário se conhecer e querer. Como certa vez me disse um filho, se é para mudar para melhor, então é melhor mudar. Ao fazê-lo, poderemos construir um novo destino, contrapondo-nos à fatalidade, e ao preconceito generalizado de que tudo estava escrito.

Ao chegar a este mundo encontramos muitas coisas prontas. Devemos fazer a nossa parte, deixar alguma coisa para os que virão. Se impacientes, criar a paciência; se rancorosos, a bondade; se irritadiços, aprender temperança, se egoístas, o desprendimento.

E há também muitos preconceitos que precisam ser identificados e eliminados. O primeiro deles, o que diz que não podemos nos modificar. O outro, que tudo estava escrito; e que a vida é um vale de sofrimentos, que não somos ninguém; que o homem não tem conserto; que alguém virá nos salvar para fazer por nós o que não fomos capazes.

Todo este lastro psicológico prostra o homem na inércia, na desesperança, no pessimismo e na depressão.

A vida deve ser renovação constante. A cada decisão, mudamos o futuro. E se ela for consciente, para atender um objetivo definido, como o do aperfeiçoamento, o novo futuro que começa ali certamente ampliará a vida e a tornará mais feliz, que é o que se busca.

Entre o dia do nascimento e o da morte, todos os outros podem ser nossos, se resolvermos assumir o controle da vida.

Não há leis que imponham a liberdade onde impera a ignorância. Como disse muito bem o ilustre pensador Condorcet, ícone da Revolução Francesa, sob a mais livre das Constituições, um povo ignorante será sempre escravo. O conhecimento libera. A ignorância escraviza. E ele vai além do que se possa aprender no lar e nos bancos escolares, pois deve alcançar a realidade do que somos e poderemos ser.

A aparente liberdade dos que andam perdidos pela cidade, sem nenhum outro objetivo que a subsistência e suas necessidades físicas, nada tem a ver com livre arbítrio que implica aperfeiçoamento e evolução .

Aos que se achem subjugados por dogmáticos pensamentos alheios, sejam eles de qualquer índole, restrita é a possibilidade de pensar com liberdade, exercer o livre arbítrio, prerrogativa maior concedida ao homem cuja guarda e desenvolvimento lhe incumbe, para não se ver privado dele pela ignorância, inimiga primeira do ser humano.


Nagib Anderáos Neto
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Friday, June 11, 2010

Política, Trabalho e Desenvolvimento

Em qualquer lugar do mundo, os governos querem, no fundo, continuar sendo governo. O desenvolvimento das instituições democráticas depende, antes de tudo, da energia do povo que impulsiona a economia pelo trabalho, consumo, respeito às leis, e que se esforça por superar suas condições financeiras, econômicas e intelectuais. Aos governos cumpre não atrapalhar essa evolução que, embora lenta, vai se realizando gradativamente naquelas sociedades cujo arcabouço democrático mínimo, livre de influencias ideológicas e religiosas, segue seu caminho de aperfeiçoamento que exige mudanças, sem as quais os progressos não ocorrem.

A situação razoavelmente confortável do Brasil diante das últimas crises mundiais deve-se ao esforço e trabalho de seu povo, apesar dos pesados impostos, da burocracia, dos gastos excessivos dos governos, da lentidão da justiça, do desestímulo à livre iniciativa, da falta de segurança, da precária infraestrutura, e do menosprezo à educação e à cultura. Numa sociedade em que a raiz de todos os problemas reside na ausência de um sistema educacional eficaz, menosprezar a cultura e a educação é a política mais retrógrada pela qual se possa optar.

Não podemos nos conformar com a crença de que o voto implique democracia. O governo do povo para o povo é aquele que o representa e serve. Seria o poder constituído fazendo cumprir os anseios populares e a Lei Maior que não pode ser letra morta. Educação, saúde, trabalho, segurança, proteção ao meio ambiente, justiça rápida e eficiente deveriam ser os temas que ocupassem as mentes do homem público, e não a forma de chegar ao poder e permanecer nele indefinidamente.

A política assemelha-se às seitas religiosas extremistas cujos líderes induzem seus seguidores a suicídios coletivos em nome de suas inconfessáveis ânsias de poder e riqueza, tratando-os como ovelhas ou ratos do conhecido conto infantil que se atiram ao mar para uma morte coletiva encantados pela melodiosa música de um esperto flautista.

O risível espetáculo da política não passa despercebido para os olhos que enxergam, os ouvidos que ouvem e a inteligência que entende.

A política passou a ser a arte de tergiversar, de mentir, de chegar ao poder e permanecer nele indefinidamente privilegiando parentes e amigos; a de iludir, de nunca dizer o que realmente se pensa – o que maldosamente tem sido imputado aos mineiros por alguma razão histórica que não está muito clara, mas que não é privilégio do simpático povo daquele Estado, senão de minorias assentadas nos governos, nas empresas, em instituições diversas por todo o país, por todo o mundo -.

Os homens de bem têm ojeriza àqueles conluios, e a dramática situação de todos os governos em todos os níveis parece nunca terminar.

Em algum momento a reversão deverá ser iniciada, e pessoas que não necessitem da política como profissão, como meio de sobrevivência, por já terem percorrido uma trajetória que lhes permita colaborar voluntariamente com a Nação, alistar-se-ão numa cruzada de moralidade e seriedade, pois o governo não é nenhum partido, nenhuma pessoa, o governo é o povo que haverá de resgatá-lo.

A impostura tributária é uma doença, como a corrupção, causadora de desperdícios e injustiça social. Ao conspirar contra o povo, acrescenta-se ao imposto mais tributo, aparentando com isto justiça social com o dinheiro que legalmente toma dos que produzem e trabalham, cujas migalhas distribui demagogicamente através de uma pseudojustiça social denominada de bolsa qualquer vinda dos bolsos indignados de quem trabalha, produz e não concorda com este tipo de esmola, que paralisa e vicia as pessoas cujos votos são comprados por tal prática.

Ao povo interessa trabalho, segurança, justiça, saúde e educação. O progresso não combina com assistencialismo inócuo, com antigas práticas de ideologias fracassadas.

Nagib Anderáos Neto
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Saturday, June 05, 2010

González Pecotche. Um Mestre Evolucionário

Carlos Bernardo González Pecotche faleceu em 4 de Abril de 1963 deixando uma vasta obra bibliográfica e uma Escola de Adiantamento Mental com sedes na Argentina, Uruguai e Brasil.
A Logosofia- ciência original de sua criação- continuou a ser estudada nas diversas sedes da Fundação Logosófica em Prol da Superação Humana que conta hoje com diversas filiais na América, Europa e Oriente Médio.
O objetivo desta nova ciência é o estudo do ser humano em sua configuração psicológica e espiritual. Para González Pecotche, viver deveria significar muito mais do que ser um mero espectador do teatro da vida; mais do que um repetidor de frases e gestos criados por outras pessoas. E para que se pudesse chegar à compreensão clara do significado da vida e seu conteúdo, seria necessário conhecer e exaltar o amor à própria vida, à própria existência. Não o amor egoísta, separatista, que distancia os seres humanos por interesses diversos, raças, ideologias ou religiões, mas o verdadeiro, o que exalta cada criatura, cada gesto, cada amanhecer como um motivo de vida, de alegria e de verdade.
“A Sabedoria de Deus está plasmada na criação, enquanto que a do homem consiste em conhecê-la e servir-se dela para superar as etapas evolutivas de seu gênero”, escreveu o pensador . E conclui que “o homem busca o conhecimento porque é o meio pelo qual chega a compreender a sua missão e a sentir a presença em sua vida deste ser imaterial que responde ao influxo da eterna Consciência Universal e é portador, através dos tempos, da existência individual”
Portanto, o conhecimento move o homem para que se eleve, para que deixe de ser o que é para ser algo melhor; e é o grande agente criador das possibilidades humanas.
Na certidão de óbito do ilustre pensador consta a profissão de escritor, autor de composições literárias ou científicas. No dizer do advogado José Antonio Antonini, estudante de Logosofia e editor que teve a oportunidade de conhecer pessoalmente González Pecotche, “aqui se sobressai uma dessas particularidades do escritor: ele é autor de composições, não somente de uma ou outra modalidade, senão de muitas, tanto literárias quanto científicas. E fazia-o valendo-se de formas literárias conhecidas, como o romance, o diálogo, a expositiva, a poesia, o tratado, etc, mas sempre vinculando tais formas ao gênero científico, visto ser o criador de uma ciência que denominou Logosofia, uma especialidade científica e metodológica que se ocupa da reativação consciente do indivíduo.”
“Também foi editor, ilustrador, pintor, músico e compositor. Sua partitura sobre Recordações Egípcias, ele a executava em uma rádio Argentina”.
“O que o distinguia da generalidade dos escritores era precisamente esta aptidão de incursionar em todos os matizes da composição literária, vinculando o leitor aos princípios metodológicos e científicos desta ciência da vida ou do invisível que se encontra em cada ser”
“A vida do ser humano tem dois grandes objetivos: evoluir na direção da perfeição e tornar-se um verdadeiro servidor da humanidade”. Com essas palavras o pensador sintetizou o conteúdo da direção apontada por uma grande vontade que habita em todos os corações humanos e, tal qual uma lei, impulsiona-o para ascender às alturas inefáveis do conhecimento e da realização humanas.
Dentre as grandes lições deixadas pelo grande humanista, destaca-se a da gratidão ao bem recebido que nos permite mantê-lo em nossas mentes e em nossos corações como um talismã que haverá de substanciar os nossos dias futuros e iluminar o caminho dos que virão trilhá-lo.
Através da gratidão e da recordação, o espírito daqueles que beneficiaram a humanidade em sua breve passagem pela terra haverá de sobreviver e prosseguir em seu silencioso e humanitário trabalho, invisível aos olhos de muitos, mas sólido e consistente sob a perspectiva da História.


Nagib Anderáos Neto
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O Mito de Pandora

Zeus – o deus supremo da mitologia grega - é fruto de uma complicada teogonia que se assemelha à genealogia humana. Bravo e vingativo, o deus dos gregos casou-se inúmeras vezes gerando uma sucessão de deuses menores: Apolo, Hebe, Hermes, as Musas, etc.
Diz-se do estranho chefe do Olimpo que havia ódio em seu coração e que tinha prazer em castigar os homens. E que certa vez, para vingar-se de certo humano de nome Prometeu que roubara uma faísca do sol para com ela iluminar a inteligência humana, o mal humorado superintendente celeste resolve castigá-los fazendo-os perder-se para sempre por meio de uma mulher extremamente bela, detentora de todos os dons, Pandora, a primeira mulher!
Ela é criada e enviada para Epimeteu (o que vê depois), embora Prometeu (o previdente) houvesse aconselhado seu irmão a não aceitar nenhum presente de Zeus de quem desconfiava muito. Ela traz consigo do Olimpo um presente de núpcias para Epimeteu: uma arca de ouro hermeticamente fechada.
Segundo Hesíodo, o poeta camponês, Pandora teria aberto a caixa levada pela curiosidade feminina de onde saem todas as desgraças e calamidades para os homens que viviam tranqüilos e felizes até então. Ao fechá-la, depois, rapidamente, conseguiu prender em seu interior a esperança que por séculos ficaria encerrada como uma promessa de retorno aos felizes e ditosos tempos da infância da espécie humana sobre a Terra.
A curiosa lenda traz consigo muitos aspectos interessantes relacionados com outras lendas e crendices que fazem parte de outras culturas e com muitos preconceitos que até hoje existem.
Sobre a curiosidade da primeira mulher, que muito tem a ver com a indiscrição (e que não é somente feminina), e as conseqüências desastrosas de um defeito tão generalizado, pode-se dizer que na história real do ser humano essa curiosidade transformou-se num terrível defeito que tem causado muitas desgraças e calamidades. A curiosidade conduz ao intrometimento, à indiscrição, à superficialidade, à vulgaridade, ao efêmero. Compreensível no homem pré-histórico e nas crianças, que de certa forma reproduzem a evolução da espécie desde os primeiros tempos, e também nos homens de ciência em suas investigações, é inaceitável para o homem de hoje quando o torna distante de si mesmo, atento a tudo quanto ocorre ao seu redor, mas alheio ao que ocorre com ele próprio, com sua própria pessoa.
O mito de Pandora pode nos levar a muitas conclusões: desde a inutilidade de um deus vingativo até a necessidade humana de transcender estados inferiores de evolução, passando, também, pela necessidade de rever os preconceitos que existem em relação à mulher cuja graça e beleza não poderia nunca ser o invólucro do pecado e da desgraça especialmente encomendados por um Zeus duvidoso.
A esperança, providencialmente encerrada na caixa de Pandora, residiria na possibilidade da superação das condições humanas a partir da evolução pessoal de cada indivíduo que sentisse a necessidade de construir um mundo melhor para si mesmo e para a humanidade do futuro.

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Educar Para A Vida

Um dos investimentos de maior retorno é o empregue na educação. Quantos esforços e sacrifícios para que os filhos possam estudar; quantas frustrações quando isto não é possível.

A educação básica é necessária para o encaminhamento das soluções dos problemas materiais, mas insuficiente para a solução dos problemas de convivência, morais e espirituais. Muitas pessoas, com esmerada educação convencional, são desprovidas da educação integral, humanitária, moral, familiar, que parece ser algo que não se aprende nos bancos escolares.

Falta ao ser humano uma educação para a vida; uma educação vital relacionada à conduta individual e ao relacionamento e convivência consigo e outras pessoas.

As dificuldades na convivência, na adaptação à realidade do mundo, as tristezas e a insatisfação, tão comuns hoje em dia, têm sua raiz nesta falta de capacidade pessoal que escola alguma tem ensinado.

No âmbito da educação convencional é possível compensar a sua falta através da aquisição de uma cultura geral obtida através de leituras diversas e mesmo nas viagens que se possa fazer preenchendo aquele vazio.

Pode-se viajar através dos livros e sobre as asas do pensamento de um autor que nos leve a zonas de conhecimentos, zonas mentais que nunca imagináramos que pudessem existir. Julio Verne conheceu a Terra através dos livros; vaticinou descobertas e empreendimentos, percorreu, mentalmente, o futuro. A escritora Taylor Caldwel, com seu romance sobre a Atlântida, resultado de um sonho da adolescência, e tantos outros escritores, significando que o espírito humano tem a prerrogativa de viajar e penetrar no futuro, ou revisitar o passado através de obras deixadas por outros homens, como num verdadeiro túnel do tempo. Viajar para o passado ou para o futuro a partir da dimensão na qual nos encontramos é perfeitamente possível.

No entanto, nem tudo o que se pode aprender está nos livros. Há muitos conhecimentos que podem estar, embrionariamente, dentro de nós mesmos, ou na palavra instrutiva de quem tenha experimentado e dominado conhecimentos com os quais sequer sonhamos.

Ao que tudo indica, parece ser o aprendizado, a busca e a conquista de conhecimentos, a finalidade maior da vida do ser humano neste planeta.

Saber e conhecer é a questão do momento, de uma nova cultura que deverá orientar a humanidade do futuro.

Nagib Anderáos Neto
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Bases Para Sua Conduta

Em recente entrevista dada a um importante jornal do país, o repórter nos perguntava o porquê do grande sucesso do livro Bases Para Sua Conduta, carro-chefe da produção literária de González Pecotche, o criador da Logosofia. Dizíamos que o livro viera à luz pouco mais de dois anos após o desaparecimento físico do autor e fora montado a partir de cartas que ele enviara ao filho com importantes conselhos para a vida através de uma linguagem didática e objetiva.
A universalidade de seu conteúdo que têm chegado a jovens de todo o mundo, tocado tantos corações e transformado muitas existências, faz do pequeno livro uma obra-prima pedagógica.
Falando simples e profundamente para a humanidade do futuro, sobre Deus que todo o ser humano carrega no coração, a importância do estudo e da amizade, a convivência social e o encaminhamento profissional, destacando a família como o sustentáculo da sociedade humana, o autor, num tom amistoso e paternal, transmite ao leitor uma profunda esperança no futuro, numa sociedade mais justa formada por homens conscientes e conhecedores do objetivo da vida que não pode se resumir no sucesso profissional e na aquisição de bens materiais.
“Há um estímulo grandioso que move a vida do ser humano. Esse estímulo é seu fim, é sua meta, é o tudo; esse estímulo é o que o incita, continuamente, à busca do saber, do conhecimento,”
“O saber é a razão de ser da existência do homem na Terra; a primeira e última de suas tarefas. Faça com que o estímulo de conseguí-lo alerte-o sem cessar, porque nele está a verdadeira finalidade da vida”.
Palavras como essas fluem das páginas do pequeno livro despertando no leitor verdadeiras ânsias de saber, viver e realizar.

Nagib Anderaos Neto
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Thursday, June 03, 2010

Autopsicografia

Encontrei o papel amassado na gaveta com um texto apócrifo escrito com a minha letra há 20 anos. A data estava nítida, mas não me recordava de tê-lo escrito.
Recordei-me de um artigo do professor Deonísio da Silva que dizia ser o escritor uma espécie de médium, que não haveria muita decisão antecipada sobre o texto produzido. Os pretensos espíritos incorporados não seriam mais do que a própria pessoa a produzir literatura.
Alguns versos de Fernando Pessoa vieram-me à mente:
“O poeta é um fingidor/Finge tão completamente/Que chega a fingir que é dor/A dor que deveras sente”.
Para o professor, todos os livros são psicografados, criações humanas que podem ter vida própria, como os seres humanos. No dizer do editor José Antonio Antonini, “eles nascem, vivem um tempo, e depois morrem. Se forem muito bons, nascem de novo em novas encadernações”.
Todos os livros que escrevemos são psicografados, escritos por nosso espírito.
Lembrou-nos o professor que Goethe, ao morrer, pediu mais luz. E eu pensei que todos precisam de mais luz. E trouxe-me de volta Stephan Zweig, escritor que tanto li na juventude:
“Há no estertor da morte uma beleza/Transcendente, ignota, luminosa/ Beleza sossegada e silenciosa, /Da luz branca da Paz, trêmula e acesa...”.
Quanta luz encontramos no decorrer da vida em nossos amigos, nos livros, presenças que não morrem nunca...
Mas aquele papel amassado trazia o mistério da Esfinge que sempre me perseguiu.
“Este teu sangue metafísico/Corrente de antigas reminiscências/Traz no presente sensações incompreensíveis/ De já ter vivido e presenciado/A cena, o momento, a emoção. / Um rosto estranho se mostra familiar/ E a situação parece repetida/Filme já visto/História secular que irrompe no presente. /Novo na carne/Velho por dentro/És a expressão de um mistério indecifrado/Esfinge vivente/Em teu sonho pueril de ser etéreo, invisível/Herói desconhecido de um mundo infantil/Que ninguém, senão tu mesmo, haverá de explicar-te./
Estrondo de portas que explode na noite/Vivaldi alegre numa estação sem fim/Apartamento vazio/Alma incompreendida/Terremoto/Castelo de cartas/Noticias de jornal/Pregador solto/Vendaval “
A Esfinge vivente reportou-me à Gisé, às areias ao lado da pirâmide onde a misteriosa escultura olhava com seu sorriso enigmático- Monalisa do deserto- na direção do nascente, para além do tempo, para o infinito.A cabeça humana sobre o corpo de animal representando a vitória do espírito sobre a brutalidade, e seu misterioso nexo com Ra, o deus egípcio do sol, a ensinar que cada ser humano deveria decifrar-se para não ser devorado por sua natureza inferior.
O papel amassado continuava em minhas mãos e eu me recordei de tê-lo escrito. Pude reviver os momentos daquela noite longínqua e invernal, ouvir novamente o zunido do vento e Vivaldi a encantar numa estação sem fim.

Nagib Anderáos Neto
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